Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Tela

mais um ...

Quando te olho, vejo a minha obra-prima. O quadro que criei, o desenho que colori.

 

A tua imagem representa a minha ultima esperança!

 

Desenhei-te com carinho, colori-te com força, retoquei-te com amor e finalizei-te com esperança

 

O mundo tinha desabado, o castelo havia sido destruído! Era invadida pela solidão, derramando lágrimas com mágoa, caindo num poço sem fundo.

Todos os meus outros desenhos eram apagados, pouco a pouco, pela safa do destino – traços outra hora perfeitos, feitos com sentimento, desapareciam lentamente deixando apenas a marca no meu coração.

 

Sentia-me sem forças para pegar num novo lápis e riscar novos traços em telas já usadas. Recusava-me a voltar a sombrear cada traço de uma antiga criação, de retocar os mesmos traços criados, ignorando as mudanças!

 

Deitei fora todas as telas, ignorei todos os lápis; deixava-me presa numa torre sem cor, sem vida.

 

Jurei não voltar a pintar, não voltar a criar.

Reneguei uma vida, e esqueci a sobrevivência

 

O mundo tornou-se cinzento, não havia pintor ou obras-primas, não havia magoa ou alegria, não havia vermelho ou laranja.

 Tudo escurecia, o céu não era mais azul, as plantas não eram mais verdes; o vermelho deixou de representar a paixão, o amarelo deixou de colorir a esperança.

 

E num momento ousado: revelaste-me as cores, mostraste-me a vida.

 

Corri até encontrar uma nova tela, procurei por um novo pincel: misturei as cores que me mostraste, e voltei a traçar riscos, a sombrear rostos, a retocar sorrisos.

 

Uma única tela, uma única gota de tinta.

 

Tornei-te na minha única esperança, deixei que as minhas mãos gastassem as suas últimas forças.

Voltei a pintar, a colorir, a criar; um novo mundo, uma nova personagem – até hoje, vivo contigo, nesse quadro criado numa derradeira esperança, numa última força.

 

És o meu quadro, a minha obra-prima, e a minha última tela.

Branco no teu sorriso, vermelho no teu coração.

 

És o meu arco-íris, mostras-me a cor em cada nova etapa; recusaste a abandonar o meu coração.

És a razão por qual me levanto, a cor pela qual ainda caminho – sorrio quando aprecio todos os teus traços, choro quando te toco e sei que não te posso ter.

 

Em ti, e apenas, por ti – e sem ti, não vivo.

Scribbles Meddlyn às 22:28
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