Domingo, 31 de Agosto de 2008

Salvadores.

 

Como se alguma vez isto chegasse até ti, como se alguma vez fosses ler o que escrevo, compreender o que sinto, procurar por mim, retirar esta dor que consome o meu corpo.
Como se alguma vez fosses saber que eu existo,
Fecho-me num mundo que ajudaste a criar, venero-te com todas as forças existentes, faço de ti um deus que me ajuda a viver e a suportar todas as mágoas, todas as batalhas perdidas, todas as facas cravadas!
No entanto, serás tu o meu salvador?
Nas noites frias, não és tu quem me aquece. Quando as lágrimas fogem dos meus olhos, não és tu quem me ajuda a seca-las. Quando grito por ti, não és tu quem me sorri e ajuda a gritar mais alto. Quando caio, não és tu quem me estica a mão e me ajuda a levantar. Quando desejo desaparecer, não és tu quem me dizes que precisas de mim aqui.
Serás mesmo o meu salvador?
Fujo do destino, procuro por ti – mas não te encontro, és uma sombra criada uma esperança inventada! Nada em ti é real, não passas de uma fonte em que eu coloquei todas as minhas esperanças, abafei todas as mágoas; não és tu quem me dá forças, sou eu que as procuro e encontro dizendo que és tu quem me as oferece! Sou eu que invento cada novo sorriso, cada nova alegria – não passas do “nada” que a minha mente criou, que o meu ser aconchegou.
Não és tu o meu salvador,
Estas longe, não sabes quem eu sou. Não te lembras dos meus sorrisos, mas eu lembro-me dos teus! Toda a força que tenho, não é por ti, é por mim – não foste tu que ajudaste a construir um novo castelo, fui eu que encontrei essas forças escondidas fazendo com que tu te tornasses no meu objecto de alegria.
Não és, nem nunca serás, o meu salvador,
Toda a força que encontrei foi por ti que a procurei. Sonhei, sorri, vivi! Por ti, ou talvez por mim, mas foi por estares longe, por me deixares criar esta personagem que iluminou o meu dia, por deixares que os teus sorrisos invadissem a minha vida, por seres um elemento na minha banda desenhada, por me deixares manejar com a tua vida, a tua personalidade – foi por isso, que encontrei forças! Não por ti, mas por ter criado alguém como tu.
Salvadores não existem, somos nós que os criamos.
Scribbles Meddlyn às 02:01
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